domingo, 31 de maio de 2009

Gente.


Há gente por todos os cantos. Há gente que conheçemos, que nos abraçam, nos beijam, nos amassam. E gente que nos envolvem, conversam conosco. Há aquela gente que te leva ao orgasmo intelectual, há as que fazem você chorar de rir. E claro, há as que só com olhar sabem se relacionar com você. Há gente falando, aqui, acolá. Há gente dançando, bebendo, fumando, gritando, sorrindo. tem gente que chega e me dá dois beijinhos. Gente que já chega me abraçando, e gente que abraça chegando. Muitos apertos de mão, tapinhas nas costas. São encontros e mais encontros. Gente, cada vez mais gente. Mas, há gente que deveria ter nascido pregada em mim. Gente que eu queria de todas as formas sempre por perto. Sempre. Gente, que mesmo sem nenhuma palavra, sabe o quanto é importante pra mim. Gente, que deveria grudar com cola super-bonder em mim. Quero esssa 'gente' comigo.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Alegria tranformada em gente.

Estou voltando. E é disso que tento fugir. Estou correndo mas tem um vento vindo contra meu corpo me levando pra aquele lugar que não quero voltar de maneira alguma. Aquele lugar que não me deixa ser feliz. Sabe, há mais ou menos um mês encontrei um razão pra sorrir e mais um motivo pra ser feliz e de verdade! Esqueçi aqueles velhos questionamentos que fazia sobre mim mesma e corri atras de me perder mais ainda do que já estava. E foi extremamente bom. O que dizem sobre se perder para poder se achar é concreto. Me achei, melhor, me reencontrei. Foi por causa de uma pessoa por íncrivel que possa parecer que vi outros Mundos, dos quais já havia estado neles, mas tinha partido sem passagem de volta. E voltei. Voltei pra menina ideologica que era. E senti que podia ser feliz em todas as formas. E tudo melhorou. Até as reclamações diárias pareciam besteiras, coisas que dantes me irritavam muito. Encontrei-me com o bom-humor, e ele gostou de mim, se alojou em um dos meus quartos. Ficou. Graças a alguém. Alguém que nem imagina que trouxe esse bem tão grande pra mim. Mas trouxe. E já parece levando embora consigo o bom que me trouxe. Espero que não leve tudo. E que nem se vá. Deixe-se ficar. Não quero perder mais uma alegria como esta. A alegria transformada em gente.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Dia pra esses olhos sem te ver.



Tenho certeza que morremos com um orgão a mais no corpo: a Saudade!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Ana Crônico.

Sua mãe já achava que era desgraça o bastante a menina ter de aguentar ter nascido com um peso a mais em seu braço esquerdo: um relógio. Além de que a garota relógio já sofreria demais em ter de ver todos os dias quanto tempo lhe restaria de vida. Cada minuto seria um a menos, tudo contado. Uma contagem regressiva abertamente real. Assim que a garotinha nasceu, sua mãe, então resolveu que não daria nome algum a menina, e que ela quando estivesse maiorzinha escolheria seu próprio nome, seria uma forma de tentar absorver o seu problema de nascença.
Mas, foi por esta estúpida opção, que a coitadinha ficou conheçida desde cedo como a garota relógio. Pior os amigos a chamavam até de reloginho. Um desastre.
Foi em meados de seus oito anos, que a garota relógio escolheu o seu próprio nome, viu em um de seus livrinhos (um dos primeiros de muitos que sucederam sua vida. longa? ou curta?), ela leu a palavra anacrônico e achou muito bonito pronunciar aquilo, fazia cosquinhas pronunciar tais letras. Como era uma menina curiosa, buscou saber o verdadeiro significado daquela palavra que lhe fazi cosegas. Descobriu que anacrônico significa algo contrário ao tempo, aos usos da época ou avesso aos costumes atuais. Era perfeito, se tratando de uma garota relógio não? E foi isso que ela pensou, apenas mudou de anacrônico, para anacrônica, já que era do sexo feminino. Sua mãe achou de um desgosto estrangular, mas não podia fazer nada, visto que essa foi a intenção da própria. A menina escolheu e assim foram-se para o grande dia, o dia de registrar o nascimento de uma menina de oito anos.
Ora, como não deixaria de ser, o registro foi mais um desastre. O oficial do cartório (único de sua cidade) achou um absurdo registrar uma menina que já ia completar seus nove anos, e pior ainda quando soube que a menina escolheu a palavra anacrônica para ser chamada. Depois de horas de conversa e confusão tremenda. Ficou acertado que o nome da garota pelo menos teria o português correto, voltando do nome inexistente anacrônica para anacrônico. Ela aceitou. Enfim, a garota relógio tinha um nome. Não só um, mais dois. Seu era Ana Crônico.

domingo, 17 de maio de 2009

A garota relógio.

Ela nasceu com um relógio. Um relógio estúpido que lhe pesava os braços, isso a fazia pender para o lado esquerdo. O peso de sua marca de nascença a deixava ser notadamente diferente no meio de toda áquela mutidão, era óbvio que seu tempo era algo preso a ela, e pior, dava para ser notado a metros de distância. O que ninguém percebia era que na verdade, o relógio que ela carregava sob sua pele mostrava-lhe quanto tempo ela tinha ainda de vida. Era como se a cada minuto que se passase, ela soubesse exatamente quanto tempo lhe faltava para fazer o que queria e realizar tudo o que sonhava.




o que você faria se fosse a garota relógio?