quarta-feira, 29 de julho de 2009

Paródia do exílio



Minha terra tem poluição
Onde morre o sabiá
A paz lunar que aqui desfruto
Não desfruto no Mundo de lá.

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terça-feira, 28 de julho de 2009

Há coisas que mudam.

Venho encontrando tanta harmonia. Em tudo, e em cada pedaço do meu dia-a-dia.
Foi pouco tempo para crescer, para despertar daquela longa adolescência mal-resolvida. Depois de uma turbulenta época, em que nada que eu fizesse, me fazia sentir feliz. Foram anos me corroendo, tentando descobrir o que eu queria fazer da vida, em que gostaria de me graduar, o que eu sentia sobre tal pessoa, o que eu sentia sobre mim mesma. Não é a toa que mudei tanto! Mudei de cor de cabelo, de cor de esmalte, de estilo de roupa. Mudei de colégio, de planos, de cursos para o vestibular. Mudei de pensamentos. Ah, e como mudei. Resolvi ser patricinha, depois resolvi ser roqueira. Resolvi que não gostava de carnaval, depois tive plena certeza que o adorava. Resolvi que ia jogar meu romantismo fora; que ia namorar o primeiro que aparecesse; que ia esquecer essa história de grande amor, depois percebi que meus namoros nunca duravam, que eu nunca fui completa com eles e que na verdade eles não podiam se quer serem chamados de 'namoro'. Resolvi que meu curso era Direito, depois percebi que fazer Direito e continuar no teatro não ia me fazer feliz. Então pulei pra Jornalismo, depois pra Cinema, e acabei em Publicidade (?). Resoluções tomadas, mudanças. E mais mudanças.
Mas há coisas que não mudam aqui dentro, essas sim devem simbolizar o que realmente sou, e quero. São à elas que ando prestando atenção. Às minhas imutabilidades. Não mudei quanto ao romantismo, e ainda acho a escrita o modo mais bonito de se expressar. Continuo achando tudo relacionado a teatro, encantador. Ainda percebo nos pequenos detalhes, no jeito de cada um pronunciar tal palavra, nas gírias que cada um usa, nas manias que cada pessoa tem. No tom do riso delas. Ainda gosto dos abraços, não os troco por nada no Mundo. Continuo querendo conhecer o Havaí, e achando Paris a cidade mais linda de todas. Los Hermanos ainda é minha banda favorita, e Amarante o melhor compositor. Ainda sonho em ser alguém muito importante, e que futuramente meu nome esteja registrado nos livros de história. Continuo chorando em Amélie, e achando incrível os filmes de Jeunet. Ainda prefiro as músicas nacionais, e acreditando em 'um grande amor'. Ainda hoje observo o céu estrelado e sou apaixonada pelo cheiro de terra molhada.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Êlaiá

E foi pouco o que me sobrou. Talvez menos que isso.
Tudo o que eu queria era um olhar que me sorria, um abraço que me protegia. Só. Mas foi mais sonho, eu sei que foi. Sempre é! Se todos os meus dias fossem de sonhos, minhas noites não seriam tão turbulentas. Se minhas tardes fossem de você, minhas madrugadas seriam mais claras.
Mas olha ela lá de novo, a mesma estrela que cai todas as noites, e que escuta meus desejos mais profundos. Este meu desejo me parece que ela não pode realizar. É mais um.
Quantos serão?
Só quero que você me leve daqui. Pra longe. Daqui. Pra sempre.
Me tira dessa torre, me faz voar mais alto.
Continuo aqui te esperando.


à você, que não sei como chamar.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A sorte do azar.

Fui de encontro com a sorte. Sorte. O que bem há de se entender dessa tal palavra? No dicionário podemos encontrar significados completamente distintos, de destino a acaso, como, de desgraça a qualidade. Então o que seria a sorte afinal? Particularmente desde pequena, dei de colocar na minha cabeça que era uma coisa da qual eu não tinha. Não por nenhum acontecimento traumático, mas só pelo fato de que um dia descobri que meu nome, lido ao contrário formava, quase, a palavra azar, ou mais corretamente A-Z-I-A-R. Ainda pequenininha tirei o 'i' do meu nome ao avesso e dei de cara com uma palavra digna de frustração. Para piorar, minha mãe me ensinou que nunca deveria proferir tal palavra, pois por dizê-la o significado de tal traria suas próprias consequências. Era como se eu estivesse participando do filme de Harry Potter e não pudesse pronunciar o nome-de-você-sabe-quem. Então, pensava, se minha mãe não gostava da palavra azar, imagine se ela descobrisse que o nome de sua filha é a própria palavra proibida?! Para contribuir com tal perturbação, comecei a só me arriscar em desventuras amorosas. Desde que iniciei, vamos assim dizer, minha vida amorosa por este Mundo, não dei nenhuma 'dentro'. E se eu não dei sorte, então teria dado azar? De novo vinha de encontro com o que já se personificava em vilão. Meu vilão era meu próprio nome em um jogo de sorte ou azar.
É claro que isso foi há anos e que hoje em dia não temo mais meu registro, e já até contei a minha mãe que meu nome pode formar a palavra 'diabólica'. Mas, no final das contas sorte pode significar desgraça e azar pode também ser sinônimo de acaso. Ora, então por que o nome dos jogos de azar não poderiam ser 'jogos da sorte'? E ao invés de desejarmos 'boa sorte' a alguém poderíamos desejar 'bom azar', não? Sorte e azar no final se confundem. Talvez não seja como bem e mal. Ou talvez sejam! Pontos diferente que um dia acabam se encontrando.
Enfim, posso tirar esta minha cisma e achar meu nome, um bonito nome! E quem sabe ele não me dê um 'bom azar'. Enquanto as desventurar do meu coração, deixo por parte do destino.
A sorte que dirá!

domingo, 12 de julho de 2009

Deixa estar.


paz pra mim, e descanso pro meu coração.

sábado, 11 de julho de 2009

Ana Crônico, a garota relógio


Ela nasceu com um relógio. Um relógio entranhado em seu braço, por isso pendia para o lado esquerdo levemente. O peso de sua marca de nascença a deixava ser notadamente diferente no meio de toda aquela multidão. O que ninguém percebia era que na verdade, o relógio não marcava o tempo que a garotinha tinha vivido, como os costumeiros, mas sim o tempo que ainda lhe restava de vida. Não se podia dizer que era um relógio anti-horário, era sim um relógio contra o tempo. O tempo de uma garota. Mas quanto era esse tempo?
O médico que fizera o parto de sua mãe ficou atordoado com a criança que tinha em mãos, não sabia o que fazer com aquele pequeno e diferente ser humano, pois a menina não era exatamente um bebê, o que o médico via se nomeava mais de notícia. A garotinha não nascia, na verdade estampava uma manchete de jornal intrigante. Aquele bebê vinha de encontro com qualquer outra teoria já estudada pela ciência, era uma pausa no Mundo, uma brincadeira do tempo que se concretizava num par de bochechas rosadas. Era um segredo. E assim o foi dito e acertado. Aquela criança seria um segredo, guardado por baixo de um lenço que cobria seu antebraço. A mãe da menina já achava que era desgraça o bastante ela ter de suportar ter nascido com um peso a mais em seu braço esquerdo, além da dor que sofreria em ver todos os dias o tempo que lhe restava de vida. Então resolveu que não daria nome algum a menina, e que ela quando estivesse maior escolheria seu próprio nome, seria uma forma (inútil) de tentar reduzir o seu problema de nascença. E foi por esta opção, que a coitadinha ficou conhecida desde cedo como a garota relógio.
Foi então em meados de seus oito anos, que a garota relógio escolheu o seu próprio nome, achou-o em um de seus livrinhos. Leu a palavra anacrônico e achou muito bonito pronunciar aquilo, pois fazia cosquinha em sua barriga. Como era uma menina curiosa, buscou saber o verdadeiro significado daquela palavra que lhe fazia cócegas. Descobriu que anacrônico significa algo contrário ao tempo, aos usos da época ou avesso aos costumes atuais.Era perfeito, se tratando de uma garota relógio não? A menina escolheu, só o que faltava agora era ir ao cartório, o único da pequena cidadezinha, para registrar-se. E assim foi para o grande dia, o dia de registrar o nascimento de uma menina de oito anos.
Ora, como não deixaria de ser, o registro foi mais um desastre. O oficial do cartório achou um absurdo registrar uma menina que já estava perto de completar nove anos, e pior com um nome que não era nome. Depois de horas de conversa e confusão tremenda, ficou acertado que o nome ao menos teria um sentido adequado. Finalmente a garota relógio tinha um nome. Não só um, mas dois. Seu nome era Ana Crônico.
Já devidamente ‘batizada’, a garota relógio percebia sua relação com o Mundo á sua volta. Ana Crônico reparou que as pessoas que lhe rodeavam perdiam muito tempo com coisas superficiais, e o tempo pra ela, logicamente, era o seu maior companheiro. Não poderia desperdiça-lo como os outros. Pois as horas ao contrário de caminharem junto a ela, vinham de frente, batiam contra ela.
Ana Crônico tomou-se como filha do tempo, e não decepcionou o título que fora dado a ela. A garota relógio decidiu fazer de seu tempo um aliado, um confidente, e então aproveitou cada minuto ao máximo que pudera. Fez de cada momento um motivo para sorrir, de cada problema um lugar de aprendizagem. E mesmo que seu tempo a fizesse angustiar-se por ser diferente, ela conseguia mostrar para si mesma que era tão comum quanto os outros. Talvez tivesse apenas uma pequena diferenciação, pois não desperdiçava o bem mais precioso dos Homens.


desenho por Vinícius H.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Terceira Edição.

Sempre quando volto de um show da Terceira Edição fico louca pra publicar um texto demonstrando o quanto eu gosto e admiro essa banda, mas sempre acho que vai ficar clichê demais (visto que mesmo sem deixar registrado esta minha paixão, vivo falando a todos o quanto gosto desses meninos). Mas a minha vontade de escrever sobre a história da 3E na minha vida é maior, e percebi que realmente não tem como falar deles sem parecer uma fã apaixonada, e devo admitir sem medo de ser feliz, que sim sou uma fã loucamente apaixonada por esta banda! Como todos já sabem minhas bandas preferidas são Los Hermanos, Cordel e a 3E, e sempre quando presencio um show de uma dessas três bandas me sinto a pessoa mais feliz do mundo. E foi desta forma como me senti ontem na Downtown! Quem imaginaria que a última banda que tocou no aniversário da Transamérica de 2006 e que me deixou instigada pelo som que produzia, ia virar esta banda linda e cada vez mais cheia de sucesso de hoje?! Ao longo dos anos que fui acompanhando a repercussão da terceira edição fui percebendo o quanto me apaixonava cada vez mais, e quando os meninos decidiram ir para Sampa, veio a saudade. Mas no começo deste ano, os meninos vieram e fizeram um show íncrivel (o melhor de todos pra mim) e eu sem imaginar o que vinha pela frente já me lamentava que só iria vê-los daqui há um ano. Então só esse ano os vi denovo em Fresno, e repentinamente abro o jornal (pois passei um bom tempo sem internet) e dou de cara com a notícia do show dos meninos ontem a noite. Claro que tive que comparecer! E foi lindo, lindo. A despedida de Victor Cahú deixou o gosto de saudade e muitas lágrimas. Ele brilhará em outro lugar, longe das fãs, e assim faz a 3E perder um grande músico. Mas esperamos (e eu tenho a certeza) de que esta banda orgulhosamente pernambucana continuará brilhando e nos encantando muito. E eu continuarei sempre sendo uma fã loucamente apaixonada (sem medo de revelar isto e de parecer boba, rs).


Pra quem não compareceu, um aperitivo de como foi:
http://www.youtube.com/watch?v=qxuZT-rRZgY