quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Nada versus nada.

É que estou tão cansada de me fingir de forte, de me sentir equilibrada e sensata.
Eu não tenho uma estrutura rígida, muito pelo contrário. Sou tão fraca, Meu Deus. Tão fraca! Não há quem me dar colo, nem quem me abraçar. Eu não sou só essa pessoa que fala tudo tão claramente e tem certeza sobre tudo da vida, escondo tanto tanto. Para me ganhar. E me cobro tanto, que isso me dá nos nervos. E quando estou bem comigo mesma, um ataque de carência me pega em plena quarta-feira quente, e me mostra que sou tão fria. Estou tão fria. Eu sei. Ninguém precisa me dizer isso. Eu já sei. Foi dizendo a todo mundo que eu não me conhecia que eu acabei me conhecendo muito. Foi querendo ter alguém do meu lado quee eu acabei me tendo cada vez mais, e continuei sozinha. Não precisa me dizer que sou mais teórica do que prática, eu sei muito bem disso. Mas tento mudar. Sempre. Há coisas que as pessoas me dizem que eu nunca esqueço. Como olhares. Gestos. Pequenos, de pessoas que nunca mais vi, mas guardo, abro, reguardo. Eu acredito no vai-e-vem da vida, e é isso que me enche de esperanças. Espera. espera. É, também tem esse caso de sempre estar falando comigo mesma. Sempre, me auto-analizando. E sim sou o contrário de 'numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê'. Não, não sou. E cá estou eu, escrevendo mais um texto, dos muitos que ninguém lê. Enfim.
Uma vez Raíza, sempre Raíza.


daqui há umas horas esse sentimento passa. (:

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Delírio de uma quarta.

Como podemos olhar para alguém que nunca vimos na vida e sentir falta de ser como ela?
Isto realmente pode acontecer ou é apenas uma experiência pela qual vivencio quase sempre?
Como posso sentir tanta saudade de algo que nunca vivi? De um carinho que nunca senti?


Sinto falta de algo que nunca começou.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Trajetória.

Ao meu tempo, estou. E é perfeito.
Pedi tanto este acalento, e agora o tenho por inteiro.
E me sinto satisfeita. Sim, uma felicidade calma, apenas uma satisfação.
Mas, plena.
Não matei completamente, mas adormeci as minhas ansiedades. Reduzi os custos das minhas expectativas, para que parassem de me torturar tão de manhã.
Foi uma receita moderninha, mas que surtiu efeito.
Agora, posso respirar calmamente e conseguir acabar com as minhas tarefas (sempre) inacabas.
Posso sonhar sem medo, pois por hora aprendi a sonhar. Sonho sem criar expectativas.
Pode ser estranho separar uma coisa de outra, mas é possível. E pra mim foi necessário.
Sinto que diminui minhas intensidades, ao menos as externas. As entranhadas em mim continuam explodindo a cada segundo. Mas não as exteriorizo.
É desse controle que precisava. Controle de mim sobre eu mesma.
Sinto que esta é uma série ininterrupta e eterna de instantes para algo grandioso que está por vir.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Estação.


Mas, deixa a vida seguir.
Deixa ela continuar a caminhar, que assim tá bom.
Cada passo dado, será sempre um a frente.
Talvez o que eu deixei lá atrás me alcance e caminhe junto comigo de novo. Talvez não.
Mas os espaços pulados, as vagas desviadas, foi tudo necessário.
Os atalhos me ajudaram, os caminhos longos me ensinaram muito. Foram tortuosos; cansativos, mas cheios de aprendizado.
Deixa a Vida, que ela está cheia de vida!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

De-escrevo

Escrevo porque gosto.
Escrevo para desabafar, pra mostrar o que sinto, pra explorar minhas emoções, pra abrir meu coração.
Escrevo porque sei que assim me entrego, e não nego quando dizem que sou emotiva.
Escrevo para analisar fatos, relembrar cenas, marcar notas.
Escrevo porque tenho um vocabulário de emoções para expor numa folha de papel.
Escrevo quando me sinto sozinha, decepcionada, irritada ou quando me sinto feliz, duvidosa, esclarecida.
Escrevo quando amo alguém. Escrevo quando não consigo me ver refletir no espelho ou quando me vejo mas não sei quem sou.
Escrevo quando só assim posso dizer tudo o que penso, tudo o que sinto, tudo o que observo do meu jeito.
Escrevo quando vejo injustiças sendo cometidas sem ninguém para observá-las e impedi-las ou quando esbarro com mentes preconceituosas e imutáveis.
Escrevo quando observo as pessoas ligarem só pra beleza externa da outra, como se fossem conversar com a imagem dela.
Escrevo quando ligo a TV e me deparo com Guerras, mortes, violência, doenças incuráveis, fome, terrorismo.
Escrevo quando vejo exemplos de gente corrupta, roubando e enganando a sociedade menos favorecida. E quando me mostram a escandalosa desigualdade social e quando noto a seca do Nordeste, com tanta gente tendo de sobreviver nela.
Escrevo pra tentar concertar o mundo.
Escrevo também quando escuto o barulho gostoso das ondas batendo rente a praia ou quando o vento sopra nas árvores.
Escrevo quando o silêncio fala. Quando o escuro mostra sua luz.
Escrevo quando vejo o sorriso inocente de um bebe. Quando encontro as pessoas que amo e que me amam também.
Escrevo quando ouço música. Quando leio livros. Quando ouço poesia. Quando vejo teatro. Quando sinto a arte em mim.
Escrevo quando presencio cenas de pessoas se ajudando, quando conheço personalidades fortes e batalhadoras ou pessoas que independente do que são, assumem o que são e o que sentem.
Escrevo quando vejo o pôr-do-sol e o nascer da lua cheia.
Escrevo quando sonho. Escrevo quando tenho sonhos.
Escrevo quando ganho um abraço verdadeiro e quando me sinto protegida.
Escrevo quando penso nas coisas da vida! Algumas que devem ser mudadas o mais rápido possível e outras que devem continuar como são pra sempre.


Raíza Hanna, datado de Março de 2006

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Sozinha, espero.


Doente. Quietinha. Não só por estar gripada, mas por bons outros motivos. É quietinha que tenho me encontrado, sobre os outros, sobre mim. Assisto meus filmes, ouço algumas músicas, estudo. De fora vejo o que está dentro de mim. Reencontro os meus sonhos. Sozinha. Em casa, escuto silêncio. Uma segunda sozinha, um domingo (o primeiro), sozinha. Talvez haja uma quarta e uma quinta, assim, também. Encorajadamente, não reclamo, apenas, consentiu. Amanhã haverá, talvez, faculdade. E assim há de ser durante os outros quatro meses. Aqui dentro, lutando por os meus calados sonhos, continuarei. O que falta mesmo é a falta. Não a sinto com tanta veracidade costumeira. Espero. Não sei bem pelo quê, mas espero. Há algo dentro de mim, que me teima em esperar, por algo importante. Minhas alienações talvez tenham um fundo de razão. Talvez eu seja elas em carne viva e fria. Assim, sozinha espero. Por um futuro menos morto, mais aconchegante. Por algo que me aguarda naturalmente, sem ter a necessidade de lágrimas, e sim, só, de sonhos.