sábado, 12 de setembro de 2009

Tribunal de pequenas causas interiores.


Em muitas noites, para conseguir dormir, eu costumo mentir para mim mesma. Isto é algo que sempre fiz, mas que andei percebendo com atenção ultimamente. É verdade que todos nós sonhamos dormindo, e também naquele quase-dormido. Mas comigo acontece além disso, eu conto mentirinhas pra o meu coração para que ele se acalme e eu possa dormir tranquilamente. E dá certo!
Mas essas mentiras têm sido cada vez maiores. Finjo estar com outros sentimentos, e outras realidades para conseguir o tal sono. E isso machuca na manhã seguinte. Machuca ter a certeza de que nenhuma daquelas palavras que eu me disse é verdade.
O mais interessante disso tudo, é que só pela manhã vem o ressentimento de ter sido infiel comigo mesma, um tempo depois já me esqueço. Assim como esquecem tantas pessoas traídas.
Para tais as jugo, na maioria das vezes, indignas.
Pois então, assumo aqui que não tenho dignidade quando minto para mim e nem quando esqueço e perdoo minha própria mentira.
Como defesa de mim mesma, alego que é melhor ser feliz com uma mentira (e conseguir, por tanto, dormir em paz) de que ficar insatisfeita sem ela.
Pré-julgo que mentir para mim mesma continuará sendo um hábito saudável, mesmo com a mágoa pela manhã.
Decreto, enfim, que a réu poderá cometer seu crime todos os dias, mas só no período pré-dormida e com moderação, e terá de cumprir pena pelo resto da sua vida em liberdade.

A pena: Tentar fazer com que suas mentiras virem realidade.

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