quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Pés

Num ímpeto saltei da minha cama em plena madrugada, liguei o mp3 e dancei sozinha no quarto: ‘Nascedouro’.
As lágrimas caiam enquanto meu corpo se movia.
Como se para espantar qualquer tristeza derradeira de perto. Como se para me reafirmar.
Falta de lucidez.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Desbotar

O sorriso se fechou em meio a cidade enorme e cheia de beleza, assim como uma flor que se fecha em pleno meio-dia, ignorando os raios do sol lindo que repousa sobre suas pétalas. Fechado, enrugado, antigo. Sorrisos amarelados. Desbotados como fotos antigas de famílias felizes (aparentemente felizes). Gostaria de escrever coisas belas, mas não é o que sinto.

domingo, 1 de agosto de 2010

É como respingar café num cigarro de palha

É como se de repente eu tivesse acordado num dia, e visto o quanto eu cresci. Olhei pra trás, vendo ali, assim, meu travesseiro. O tanto de sonhos que ele já suportou me ouvir, é a mesma medida de trajetos aos quais eu passei, para então deitar minha cabeça ali e poder sonhar. Mas numa manhã qualquer, com os mesmos sonhos e com o mesmo travesseiro amassado, o dia acordou mais claro, mais cheio de cores. Talvez tenha sido os trajetos que mudaram. Talvez tenha sido a cabeça que deleita sobre aquele colchão. É que num piscar de olhos, tudo ficou menos intenso. Mais intenso. Uma proporcionalidade deliciosa. Uma cabeça já tão feita, desfeita. Finalmente refeita! Joguei pela janela minhas convicções antiquadas, meus pessimismos, minhas frustrações. Comprei um sorriso novo. Uma memória nova. Coração não. Esse continua aqui. Continuará sempre, aprendendo. Fiz minha cabeça. Fiz minha cabeça. Enlouqueci. Calei. Meu travesseiro continua o mesmo, conto pra ele os mais diversos casos, absurdos. Besteiras.
É como respingar café num cigarro de palha.