terça-feira, 30 de novembro de 2010

Coração

Por que nosso coração insiste em estar deprimido?
E nosso sorriso disfarçadamente aberto?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sofreguidão

É como se eu tivesse um colar de pérolas no meu pescoço e que todo mundo achasse ele belíssimo, e eu também o achasse maravilhoso. Mas ele pesa muito e me faz calos. Então eu fico sem saber se continuo com o colar e fico bonita, ou se tiro e fico bem comigo mesma. Tendo a chance de me arrepender depois.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Buscar


                        Sempre busquei por um final feliz, até que eu descobri que ele não existe.
                         Definitivamente não. O que pode existir é uma continuidade feliz, mas não final.
                                                      Pois se fim fosse bom, seria começo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Procura

É muito difícil a gente encontrar alguém que nos compreenda completamente,
por isso eu busco um pouco de cada alma para constituir a minha.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Uma mesa de madeira, roupa nova e cheiro de tinta fresca

Pincéis, massa, presentes, luzes piscando, cheiro de casa recém-pintada, o cheiro de frutas cristalizadas. Tudo parecendo bem novinho. O que na verdade era novo, era a esperança que renascia, assim como o ano. Tudo jogado no chão, os presentes se espalhavam, no som tocavam Cd's de tudo quanto era estilo, ritmo ou qualquer distinção bestas dessas. A música entrava na gente, enquanto todo mundo chegava com roupa nova e cheiro bom. Todo mundo se reunia no fundo da minha casa grande, recém-pintada, numa rua onde eu costumava brincar a tarde inteira. Correndo de um lado pro outro, às vezes espiando os vizinhos, quando não, fazia planos para salvar o Mundo quando fosse grande com a Ná. Nesses dias em especial, a família inteira se reunia naquela mesa toda de madeira de três metros (essa medida sempre foi meu ponto de partida de outras medidas), a mesa que eu me deitava em cima para inventar passos das coreografias que fazíamos e que logo ao lado dela ficava a rede que eu passava o fim de tarde escutando Sandy e Júnior e cantando com toda vontade do Mundo. Lembro de um tempinho depois de ter passado umas férias em Campo Grande e ter sido apresentada à 'boa música' como dizia meu tio Júnior, de estar na mesma rede interpretando as músicas de Chico e de Caetano. Mamãe me explicava o porquê do Cálice de Chico, entre outras coisas. Nessa época eu falava mamãe, papai, carne puxando o r arrastado de matuta do interior de São Paulo. Já tinha perdido o mainha e painho tão delicioso do Recife. Minha vida era a cidade limpa, pequena e fria. Fria: ah, como era ruim acordar de seis da manhã num frio de sete graus e ir pra escola! Mas os fins de anos eram sempre quentes, sem umidade alguma, quase sufocante durante o dia, seco. Comecinho de Novembro as flores amarelas do Ipê já começavam a desabrochar e deixava mais lindo ainda o trem que passava na esquina da minha casa e que fazia a minha casa tremer. Dezembro, a casa toda já cheirando a tinta fresca enchia-se de gente(da minha família cigana, espalhada por esse Brasil hoje em dia), e enquanto trocávamos presentes e tentávamos adivinhar quem tinha tirado quem naquela brincadeira de esconde-esconde, Katiuska corria de um lado pro outro procurando por um carinho qualquer, no seu coração de cão, ela com certeza sentia o amor que rolava solto de um corpo pro outro numa família tão bonita e que podia se dar ao luxo de se reunir toda para passar as festas de fim de ano. E eu, pequenina, nos meus sonhos de criança, achava tudo mágico. Acho, que ainda hoje, meus olhos brilham feito menina ao lembrar desses dias de verão.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Rotina

Já não dou corda em meus relógios.
Por mais que a cidade inteira empurre seus ponteiros tentando fazê-los andar, me firo fundo para pará-los.
O tempo não pode me machucar mais.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

gostaria de comer o Mundo, só por hoje.