terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Something

No meio de uma pizza em família faltou luz. Não só no restaurante que costumamos ir, mas em todo Janga. Ficou tudo escuro. Estávamos no meio de um assunto meio chato, pagamos a conta a luz de velas e logo em seguida meu irmão começou a passar mal, o psicológico daquele assunto entrou fundo na sua memória e a pressão foi lá em baixo, assim como todo o humor da família, já não tão grande. Assim que chegamos em casa, e eu acendia algumas velas pra cessar todo aquele escuro, travava-se mais uma discussão das milhões que temos todos os dias aqui em casa. Meu irmão já estava um pouco melhor, enquanto minha mãe com todo o seu nervosismo costumeiro sentiu apertos no coração e "desmaiou" no sofá, dizendo que estava mal também, havia um pouco de exagero, era mais a cabeça que rodava entre os problemas que ela reclama sempre. Meu pai, talvez pelo cansaço do dia (ou talvez pelo cansaço da vida), disse algumas coisas e não levava a sério o mal-estar da sua esposa, contrariando seu comportamento sempre tão digno e calmo. Já eu, deixei meu nervosismo genético um pouco de lado, respirei. Estava um pouco triste, como havia andado há pouco, acendi as velas, tirei o relógio e os brincos de mamãe, a deixei confortável no sofá mesmo, enquanto dizia "Gente, vamos parar de brigar por um dia se quer. A gente precisa ter mais calma, e brincar de ser mais um pouco feliz". Meu pai deitou no chão mesmo. À luz das velas, peguei o celular e coloquei Beatles pra tocar, me deitando na rede e olhando a noite que brilhava lá fora, pensei em tudo aquilo. Era o mesmo céu estrelado e claro de todas as noites que entrava pela janela do meu quarto e que eu admirava sempre antes de dormir, mas nesta noite havia algo diferente nele, ou em mim, ou naquele lugar. Senti uma sensação estranha, uma mistura de nostalgia, tristeza profunda, esperança e aquelas músicas britânicas de Liverpool que me tocavam a fundo. Na rede mesmo, balançando, lembrava de coisas boas, e fazia um balanço desse ano tão estranho, cheio e vazio ao mesmo tempo, e via ali que nós todos precisávamos alimentar melhor as nossas almas, para que o coração possa sorrir mais e em maiores escalas de cores.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Por puro amor

Interessante eu nunca ter escrito nada sobre você. Já escrevi milhões de textos, pra mil sentimentos e pessoas. Mas sobre você nenhuma linha foi escrita, e isso não é pela importância pouca que você teve na minha vida, você sabe. Deve ser porque eu nunca consegui explicar o que realmente eu sinto por você, o me dói tão fundo lembrar de todas as nossas histórias juntos, ou até das tuas sem mim, até as que eu não estava junto, eu amo.
O mais engraçado é que a única coisa que escrevi a respeito desse sentimento, foi diretamente enviado a você. Nenhum poema, nenhuma crônica, nada. É difícil falar de um amor que acaba em ódio. O maior erro da minha vida foi ter te encontrado, foi essa a minha maior dor. Dor que talvez não tenha sarado realmente nem dez por cento do que eu costumo dizer a todo mundo. Faz uns dois anos, acho. É que você é o cara mais legal que eu conheci na vida, e tenho certeza que nenhum nunca vai conseguir tirar esse pódio de você. Só não precisava ter sido tão legal comigo. É claro, mesmo se eu tentasse eu sei que é óbivio que eu me apaixonasse por você, é como estar sujo ao lado de um lago e não se molhar. E não adianta ficar tentando ver no que eu errei, e se eu poderia ter te conquistado, uma coisa com certeza eu mudaria, deixaria claro o mais rápido possível o que eu sentia ao invés de te esconder, sorrindo. E depois chorando em casa. Certas dores ficam guardadas lá dentro. Eu tinha medo de te perder, e de um jeito ou de outro, perdi. E não adianta ficar escutando repetidas e sequenciadas vezes 'Natural' de Volver, nem chorar, e no segundo seguinte sorrir com as lembranças de tudo que era tão especial. É todo mundo tão igual aqui, você não. Pra mim, você não. Minha cabeça está vagando por aí, minha alma nem sei se existe ainda, só sei do meu corpo que está aqui cheio de marcas do tempo, muitas marcas. Eu me perdi. Perdi. Meu olhar raso não pode mais notar o teu sempre tão cheio de sonhos e certezas.E eu que enquanto há outros fico me perguntando como alguém pode ter certeza de amar realmente a outra, mas assim que me lembro de você tenho essa certeza, maior do que qualquer outra que eu tenha na vida, maior do que qualquer outra, maior, maior, bem maior. Mas o tempo sempre espera o depois, e se aqui dentro chover no meu medo de não mais existir, eu te mostro quanto foi natural meu canto além de mim. Meu canto pra você. Meu canto perdido, solto, acabado, rouco. Não canto mais. Só a dor, que ficou.

Madrugada

errei, de novo.
por que?
continuarei errando,
quem sabe assim encontro um caminho certo.


errata: não existe caminho certo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

mãos dadas.

Acho que nunca mais vou sentir teu cheiro de Musk misturado com cigarro, como sentia antes.
por simplesmente não sentir.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mais um relacionamento pra minha coleção de fracassos.