sábado, 7 de maio de 2011

É preciso amor pra poder pulsar


Ela adorava tomar banho de chuva e tinha uma vontade de viver tão grande.
Uma vontade de conhecer o Mundo todo, de aprender cada vez mais.
Eu tinha te prometido te levar a Paris um dia lembra?! A gente ia tomar um capuccino num café com vista pra Torre Eiffel.
A gente ia passar uma tarde numa lancha, numa praia bem gostosa.
E eu seria uma filha melhor, talvez eu pudesse até ser tua amiga um dia.
Mas acho que fomos amigas, sim fomos. Não daquelas companheiras, mas daquelas briguentas cheias de amor uma pela outra, não foi?!
A gente lia os mesmos livros nas mesmas épocas, e costumavamos ficar debatendo sobre eles no café da manhã. 
Nossas piadas só nossas, poucas, mas só de nós duas. Como o morrer para sempre, o Assilon, a nossa paixão por Malika Oufkir e a luta pela vida, e as cronicas engraçadas de Mario Prata sempre tão presente.
Tinha também os poemas, e as músicas. As músicas que diziam sobre nossa vontade de engolir o Mundo juntas.
Tinha Renato Teixeira e a NOSSA música, tão nossa e que será sempre minha marcada, tatuada, como lembrança tua.
'Cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz'
Queria teu beijo de bom dia e tua boca me chamando de 'melequeira de gororoba'.
Queria não olhar pras tuas roupas sempre limpinhas e branquinhas, organizadas (ao contrário das minhas) e sentir essa falta que me mata, me devore.
Queria parar de pensar o quanto uma vida tão grande, bonita e inteira pode se resumir a pequenas coisas que ficaram materializadas aqui dentro de casa. Era tudo muito maior.
Não suporto saber que só poderei falar de você assim mãe, no passado.

Um comentário:

  1. Eu não sou a favor do luto!
    Talvez pq eu não vja ele como solução, ou como uma forma de sarar algum tipo de dor. Mas tuas palavras me fiseram sentir um cheiro que eu nunca tinha sentido. Um cheiro doce de cana sem glicose, uma catinga de cana depois de uma noite sem bicada e sem chave pra entrar dentro de casa, e eu me senti um cachorro numa noite de chuva e queria dividir esse papelão que me abriga contigo, fazer uma proteção pra que nunca mais tu se sentisse só e poder colocar de volta todas as tuas lágrimas.
    Hanna! Que tua força se multiplique, pois eu estou contigo, mesmo sendo do outro lado desse monitor. Um xéru nos olhos!

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