sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Da tese de ser humano num sonho comum de máquinas

Espeto palavras em roscas de vinho. E tento sonorizar sentimentos que por si só não falam, emudecem. Essa prática quase permanente de tentar dizer o que se sente é algo tão trivial e estúpido que chega a ser risível, e ainda assim, é o que me faz querer viver dia após dia. Chegar à terrível consciência de que nenhum adjetivo comum possa simbolizar tudo o que nos passa pela cabeça durante todo um dia mundano, é como tentar explicar o porque cada pessoa tem seu rosto parecido com ela. Leio a alma congestionada das pessoas, nos ônibus, no ambiente de trabalho, todos pedem por mais vida, por algo que possa valer a pena. Não encontram motivos plausíveis pra se estar vivo. Daí, inventam o amor pra segurar a gente nesse Mundo. E pro amor inventam a poesia, pra deixar tudo mais bonito. E o que deveria ser um grande excesso de vaidade e egoísmo vira verdade, vira beleza. O belo nada mais é do que achar-se onde se lê, onde se vê. Podemos ver beleza em tudo, até no que se faz feio por pura distração. Nada disso faz sentido algum quando se está para dentro. Estar para dentro é como fugir do Mundo e entrar em si. Engana-se. Estar para dentro é fugir de si. Tentar ligar tudo que está cá fora, com tudo que fica ali dentro, longe. No oi de cada dia, viver dia por dia. É como se matar aos pouquinhos e ainda assim sentir medo de morrer. É como sentir medo, mesmo sem saber que medo é algo inútil, mas importante. Eu mesma, tenho medo de perder todos os medos. Foi lendo crônicas que me diziam para enfrentar um medo por dia, que enfrentei-os. E agora o meu medo é de perder todos os medos. E não temer a nada. Virar super herói. Ou Máquina.
Eu quero ser humano, como todos os outros.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Só levo a certeza de que muito pouco eu sei ou nada sei

Tô sozinha em casa, a noite. Vazio por dentro.
Começo a procurar desesperadamente uma música que me faça chorar.
Queria algo que atingisse o centro do meio peito e fizesse sair tudo que tá por dentro machucando e que de tão seco e quebradiço, dói.
A primeira coisa que me vem a cabeça é Los Hermanos. Nada acontece. Já foi o tempo que isso me atingia. Cansou de tanto romantismo.
Tento Smiths, pra ver se o que eu sinto é saudade desse tempo. E não cai uma lágrima. Não sinto nada.
Começo a achar que nada me atingirá.
Tento Dylan, mesmo ele nunca tendo me feito chorar.
Tento 'Something', a canção que mais me toucou. Nada.
Passo por 'Natural' de Volver, já aguentou muitas lágrimas minhas. Mas hoje, nada sai. Seco, tudo.
Aí me lemrbo disso:
http://www.youtube.com/watch?v=lgY8ykUBY5k&feature=related

E aí, todo meu corpo, todas as minhas entranhas, coração, fígado, pulmão. Tudo sai pelos meus olhos.
Pareço desabar.



Nada me atinge mais Mãe. Só tua falta.

Versos pobres de um poema rico

Não que eu seja uma tola
ou uma dama qualquer.
Nem que eu tenha que rir
ou chorar por querer.
A calmaria toma conta,
deixando por dentro um onça feroz
Louca por aventuras deliciosas
e desejos semi abertos, desejos.
Esse poema busca o mar,
que me viu ao amanhecer
Me disse que eu preciso decidir
entre o caminho que vai ou aquele que vem.
Mas eu não quero decidir nada,
faço manha, fico descalça
Deixo a preguiça bater
avançar como o mar nesta calçada.
Visto meu vestido mais florido,
corto uma manga em pedaços
sonho com a casa cheia, o dia claro
o sopro do vento nos cabelos despenteados.
Me visto pro trabalho, escuto conversas oficiais
e tudo que queria por dentro era um vinho, um riso
amigos na varanda, o sonho virando dia
o sol nascendo tranlúcido enquanto a gente bebia.
Um violão, uma música,
descobrir porque essa vida é boa
e mesmo sem respostas do Mundo
dormir com a cabeça tonta.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Origem

Pra alguém tão romântico e poético só uma dose extra de realismo pra atingir o centro do seu coração e ficar.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Brigite não sabe que é protagonista

O sol a chamava há muito. Implorava pra que ela pulasse aquela janela verde e grande, limite de sua antiga vida e começo de uma outra que aparentava ser melhor. Aquela janela verde, imitava as grades de uma prisão nojenta e vivia olhando nos olhos de Brigite e dizendo a ela 'Daqui não sairás, nem por mil anos. Ficarás comigo, do lado de dentro. Limitada. O Mundo te chama, mas eu te obrigo a ficar'. A janela mostrava tudo que o Mundo proporcionava, pisava no desejo de Brigite de sair dali, de ganhar o Mundo. O Mundo por sua vez, gritava pela menina, gritava pra que ela pusesse os pés em cima dele e vivesse só e por ele.
A bicicleta do lado de fora parada, as malas vazias, os pés de Brigite parados, as roupas sem ganhar cheiro, os cabelos sem ganhar vento, os sapatos sem pisar terras, o coração sem pular de felicidade.
Então, como se para mudar o rumo das coisas sempre sem rumos, a Lua falou mais alto que o Sol escondido e que as estrelas tímidas. E mais forte a Lua gritou pra Brigite 'É preciso ganhar Mundo Brigite. A vida te espera cá fora. Devora a vida Brigite. Devora o Mundo. Só assim teu coração vai bater e tu verás serventia para ele'. A cama soltou Brigite nessa noite, os sapatos envolveram seus pés, as roupas se jogaram dentro das malas quadradas e velhas, o vestido amarelo de renda cobriu seu corpo de menina. A janela raivosa tentou indagar as vontades de Brigite, mas ela não respondeu. A janela verde sabia que Brigite não precisava dizer nada e sim sentir. E ela sentia. Ficou com pena, e deixou Brigite pula-la.
Do lado de fora, a bicicleta vermelha tomou Brigite em seu colo e ganhou Mundo, os cabelos de Brigite ganharam vento, o coração de Brigite ganhou pulos de emoção e seu rosto sem expressão um sorriso de verdade.
E Brigite deixou de assistir o que o Universo fazia com ela, e virou protagonista de sua própria história.
Rumou à existencia dos seres que fazem da sua vida espetácular.
Ganhou Vida.

Virei Cinema

Na tela poesia solta
Nos nossos olhares de expectador brilho
Olhos de quem sonha
Olhos que querem levar toda a mente para outro plano
Viver uma vida de outro
Misturar nossa realidade no sonho da tela
Imaginar que tudo é possível
Tudo é possível ali atrás da película
Vontade de derreter e entrar por entre os furos do papel fílmico
Virar um só.
Por algumas horas.
Enquanto as luzes se acendem e todos voltam a realidade sem graça.
Eu me deixo ficar, por horas, dias e anos.
Virei cinema.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Futuro

O futuro que venha de frente, sem fazer curva.
Porque nesse momento, eu vivo o agora.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Interney

Olhar pra frente do computador esperando que algo saia de lá de dentro e que mude sua vida por completo.
É isso que se faz atualmente. A gente acha que a felicidade vai sair dali de dentro, de um twitt, de uma conversa no facebook. Mas na verdade a felicidade só sai de dentro de nós mesmos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Estátua

Coração indeciso é morada pra tristeza.
O meu nunca conseguiu tomar decisões rápidas.
Por isso sempre vai doer.
E meu sorriso vai continuar aberto.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Quatorze


Eu me peguei pensando em mim no auge dos meus quatorze anos, cheia de sonhos e ansiedades e amores duradouros. Os quatorze era pra mim a melhor idade que se podia ter, antes de completar os quatorze, eu vivia sonhando com ele, e imaginando como seria estar na oitava série, com aquela idade que se pode namorar e começar a ir nas festas. De uma certa forma, meus quatorze foram realmente importantes. Foi em 2004, e 2004 foi pra mim o melhor ano da minha vida durante muito tempo. Foi nesse ano que eu e as minhas duas melhores amigas viramos as melhores amigas do colégio inteiro, a gente ia de uma ponta a outro do nosso colégio pequeno dando oi a todos os nossos amigos, que eram de todas as diferentes séries, mas que a gente se orgulhava mesmo de ter amigos do Terceiro ano, eles eram mais velhos e super interessantes e simpáticos. Foi nesse ano também que eu dei meu primeiro beijo, aos quatorze, no meio da semana dos jogos internos, com um menino que eu tinha conhecido um dia antes, e lembro bem o quanto foi chato os dentes terem batido. Eu não sentia nada por aquele menino, mas eu só queria aprender a beijar pra poder ter mais chances com o meu amor-platonico-fofo-e-lindo do Terceiro ano. Foi nesse ano que eu sofri pela primeira vez de amor, coisa que mal imaginava eu, viria a acontecer várias vezes depois. Eu sofri de amor por esse meu amor-platonico-fofo-e-lindo do Terceiro ano, que era também meu amigo e que eu era abestalhada por ele e não tinha coragem de falar. No fim do ano falei, e levei um lindo e primeiro fora da minha vida também, e sofri de novo. Mal sabia eu que eu ia ficar com ele no ano seguinte em plena festa dos meus quinze anos, com direito a família toda observando. Acho que foi o maior ano de descobertas da minha dolescência rebelde-e-pura. O colégio era pra mim meu lugar seguro, eu o amava mais que tudo no Mundo. Lá eu tinha meus amigos que me protegiam, minhas risadas favoritas, meus recreios musicais com rodas de violão e fotos pra todo lado com as primeiras cameras digitais que surgiam. Eu não tinha computador. Enquanto todo mundo entrava nos chats e depois msn, postavam fotos e começavam a fazer os primeiros orkut's da vida, eu passava a tarde trancada no meu quarto escutando música, sonhando e escrevendo meus textos secretos, naquele tempo eu não acreditaria se me dissessem que anos mais tarde eu publicaria meus textos na internet. Eu lembro da feira de ciências desse ano, a gente falando sobre vinho e todos nós saindo do colégio bêbados. Foram as primeiras vezes que sai pra beber. Como era estranho pra mim tanta gente jovem bebendo, acostumei e entrei no clima pra acompanhar meus amigos, depois entrei no clima de beber pra afogar as mágoas de ser uma menina-rebelde-existencialista que tinha um amor não correspondido, mal imaginaria eu naquele tempo que eu teria outros amores não correspondidos pela frente. Lembro exatamente de ter ganho o meu primeiro celular nessa época, um A40 da Siemens, que mandava mensagem de graça e mudava o adesivo da parte da frente. Nessa época tínhamos a mania de falar de 3 segundos, e eu tinha um amigo, um dos do Terceiro ano, que me ligava todos os dias a noite pra gente se falar de 3 em 3 segundos, brincadeira que rendia até a madrugada. Eu ainda cheia de sotaque paulista, de menina do interior de São Paulo, que agora morava pertíssimo da praia, de shoppings e que pegava ônibus pra ir passear no Recife. Nos domingos era sagrado meu encontro comigo mesma, trancada no quarto, pra repassar tudo o que eu tinha que fazer durante a semana, eu só ia pro colégio e voltava. E ficava ensaiando a forma mais legal de andar e falar com os outros pra me tornar mais pop no colégio com as minhas duas melhores amigas. Eu acreditava no amor de Romeu e Julieta, no "amor da sua vida", sonhava em encontra-lo, como em príncipe encantado, que viria pedir minha mão em namoro aos meus pais e eu namoraria em baixo do prédio, sentada nos banquinhos do hall. Eu era contra essa história de ficar por ficar, beijar por beijar, queria alguém de verdade e só. Eu era difícil, pura e romântica. Aí, agora eu me peguei pensando assim, se eu com meus atualmente 21 anos chegasse pra aquele meu eu com 14 anos de idade e contasse tudo o que fiz e o modo que prendi a pensar entre a idade dela-eu e da minha atual eu-ser, o que ela acharia? Será que ficaria orgulhosa de mim? Será que diria que isso era exatamente o que ela sonhava?
Não.
Mas a gente muda, e isso é lei universal pra todos.
Ainda bem.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O siri

O Siri era apaixonado pela Lua. E isso já fazia algum tempo.
Ele nem se quer lembrava-se mais de quando esse amor nasceu dentro dele.
Ele costumava alimentar esse amor todas as noites, admirando a Lua e sua luz tão bela e aparentemente quente.
A Lua por sua vez, se sentia lisonjeada em ser objeto de desejo do siri, por isso, e só por isso, brilhava mais sua luz quando percebia que ele prestava atenção nela.
Cortando, assim, o escuro da noite e furando cada vez mais o coração do Siri.
Ambos, mantinham-se em seus mundos.
O Siri preso à Terra, e a Lua pregada no céu.
Anos se passaram como tudo que é natural, e naturalmente a distância só fez a vontade do Siri aumentar.
Num dia qualquer de calor latente, o Universo deu uma reviravolta, e como se para aproximar os dois propositadamente, a Lua chegou tão perto da Terra que para alcança-la o Siri só precisaria dar um pulo.
O pulo foi dado, e sem pensar duas vezes o crustáceo sonhador se jogou de toda alma pr'aquela beleza que irradiava seus olhares há tempos.
Pobre do Siri quando pisou na Lua.
Ele descobriu o quanto a Lua era dura, fria e sem graça.
E que ela era apenas mais um corpo celeste, assim como tantos outros seres que habitam o céu.
Só estando lá, em cima da Lua, pisando nela, que o Siri pôde descobrir o quanto seus destinos eram diferentes, e que apesar do destino, a escolha é o que importa.
E ele escolheu voltar pra Terra, seu lugar.
Cada um continuou no seu próprio mundo particular e tudo permaneceu igual.
Assim como todo igual se tornou diferente.
Foi assim que o Siri parou de andar pros lados.
E começou a só andar pra frente.