domingo, 29 de abril de 2012

O mar tá pra peixe
















O mar tá pra peixe,
então saio com meu chapéu de palha,
arregaço minha calça marrom cheia de lembranças
e parto pro meu barco, tão meu.

Olho pro céu acima dos meus ombros,
o sol brilha me conduzindo por um caminho mais intenso
uma terra plana e um horizonte azul,
as ondas brincam de ser felizes no mar.

Tudo aquilo na minha frente,
parece esperar pela minha rede com linhas retas e quadriculadas.
Jogo-a com toda vontade,
ela voa por um curto tempo
e se joga calma no mar, sem muito barulho.

Espero. Assobio uma canção. Deixo rolar.
Quando puxo minha rede,
um sorriso brilhante abre-se na minha boca, sem nem eu mesmo perceber
a rede está cheia de bons peixes: grandes, saudáveis, apetitosos.
Pulo de alegria, dou uma alta gargalhada, coço a barriga, acendo um cigarro.

Tiro-os da rede, coloco no meu pote de pescaria.
rezo: agradeço o bom Deus por aquela benção,
a próxima semana inteira será de fartura no meu casebre
as crianças vão comer bem,
e minha mulher vai preparar o almoço de hoje com seu vestido laranja
e cantoria na boca: Roberto Carlos, Cartola, Vinícius de Moraes,
depois vai me beijar cheia de amor, com aquele calor só dela.

O sol continua a brilhar, costurado no céu rosado
Penso em jogar minha rede novamente
talvez pegar peixes melhores ainda, garantir a felicidade dum mês.

Dúvida.
Penso: jogar ou não jogar
"tá tudo tão bão Meu bom Deus, será qu'o Senhor guarda mais felicidade pre'sse velho aqui?"
"será que eu mereço tanto?"

Jogo a rede, por fim.
"vamo vê no que vai dá!"