quinta-feira, 31 de maio de 2012

Algo pra fazer quando estamos fazendo o que devemos fazer

- Oi Zé! Quanto tempo!

- Olá! Muito tempo mesmo hein! Como você está, homem?

- Estou bem! E você?

- Tô fazendo o que se deve fazer.

- Como assim?

- É, você sabe... fazendo o que se deve fazer...

- Não tô entendendo Zé. E o que se deve fazer?

- Sabe, viver. Trabalhar, comer, respirar, trocar o óleo do carro, ler o jornal, namorar, caminhar pra tentar emagrecer. Essas coisas...

- Ah entendi! Isso quer dizer que sua vida tá monótona?

- Não, de jeito nenhum. Minha vida tá ótima. Nunca fui tão feliz! Exatamente por isso tô fazendo tudo o que se deve fazer, entende? Em busca de que as coisas que agora estão boas continuem. E que fiquem cada dia mais forte. Sabe... A gente gosta de fazer tudo isso. De seguir os dias. Não se tem outra forma de viver, apenas fazemos o que se deve. Preenchemos nosso tempo, inventamos novos gostos, vimos mais filmes e lemos mais livros. A gente tem que se suporta não é? Todos os dias tenho de conviver comigo mesmo. Sentir raiva, felicidade, estresse. É tão cansativo estar com você mesmo o tempo todo, mas também tão agradável, e passa tão rápido... Aí a gente brinca de inventar cada dia mais novidades. Às vezes escrever um conto, inventar personagens e conversas fictícias, e ainda acrescentamos uma enorme verosimilhança no texto. Querendo falar de nós mesmos, mas inventando alguém que fale por a  gente. O personagem que mais filosofa, normalmente é o espírito do autor do texto, e o que interroga, é só o outro lado do mesmo autor perguntando pra si próprio. E... é, eu vou bem, sim! Hoje sou Zé, amanhã posso ser nina, a gata.

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