quinta-feira, 26 de setembro de 2013

À deriva

A idade, de algum modo, me atinge.
Forte, vigorante, ela vê em mim um rio seco de esperanças.
E instala-se.
Num canto, se aconchega, fica. Ri da minha confusão.
Faz das dúvidas meu caminho. Juvenil, engraçada, turbulenta. Calmaria.
Põe em dúvida minhas posições. E então, não há mais certeza.
Nem ideologia.
O corte de cabelo não combina mais.
As roupas parecem não me representar.
As palavras me faltam. Escrever não mais uma arte.
A carreira: dúvida cruel. Os sonhos: vagos. O mundo: cansativo.
Será essa a juventude correta?
Não tem mais vontade. Só cansaço. De coisas que ainda nem vivi. E há tanto, ainda.
Me perco em quem eu sou. E cada dia, mais um pra se auto descobrir.
Quem sou? Qual meu papel pra mim, pra o Mundo? No Mundo?

Excitação, palavra que me anseia, e me deixa à deriva.
À deriva, do que penso, do que quero, do que sou.
Vinte e tantos... à deriva.