quarta-feira, 30 de julho de 2014

Tragicômico

E gritou pra todos escutarem:
- Um brinde! Um brinde! Um brinde ao que está sendo esquecido, e ao que está sendo lembrado depois de tanto tempo esquecido. Um brinde ao desespero, deverás tão bonito. À vontade de viver e de morrer, misturadas, entrelaçadas, carcumidas. Um brinde à paixão banal que destrói os amores. Ao tempo que destrói os amores. À vida que destrói e constrói. Um brinde ao que não é mais novo, e está sem graça. Ao velho e enferrujado. Ao sentimento de se sentir desprezado, jogado de lado. Com amor ou sem ele. Um brinde ao casal que se beija loucamente, ensaiando seus primeiros passos. E aos que os olhos já estão cansados de ver. Um brinde ao arrependimento. Ah, o arrependimento. Tão comum e pulsante em nossas vidas. Um brinde ao drama, e a comédia. Que um dia a gente possa rir disso tudo.

E chorou como uma criança, presa ao passado, pelo resto da vida.