quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O dia que descobri o significado da palavra felicidade

Eu devia ter uns quatorze anos, era uma menina inocente ao meu modo e cheia de sonhos e medos. Tinha alguns amigos e me esforçava pra ser alguém popular, mesmo me achando sempre um pouco introspectiva.
Em dezembro, não lembro exatamente de qual ano, fomos passar um tempo em Maragogi, como era costume da família, então, alugávamos uma casa lá e passávamos um certo tempo. E lembro que esse ano especificamente, eu fiquei mais ou menos um mês e meio na praia. A casa que alugávamos ficava dentro de um conjunto com 6 casinhas e era afastado de tudo, pra se chegar a cidade era necessário andar pela beirada da praia por alguns quilômetros até poder  ver o centro da cidadezinha de Maragogi.
Aquele verão foi um dos mais inesquecíveis pra mim. Eu realmente amava ficar ali. Na época, eu só tinha um celular que mandava mensagem de texto e mau o usava. A casa tinha uma tv e normalmente assistíamos a noite.O dia era completamente entregue pra socialização e solitude, cada hora para se provar um pouco de cada uma e conviver com ambas. Comíamos, cozinhávamos, jogávamos baralho, nadávamos e nadávamos no mar.
Lembro de começar a acompanhar o movimento da maré respectivamente com a lua, de criar brincadeiras diferentes, de ler tantos livros que podia, de nadar de todas as formas, de balançar na rede cantando com meus primos pequenos, e principalmente de pensar e meditar sobre tudo. Incrível como só a ociosidade faz a gente poder entrar em contato com a gente mesmo, ir lá no fundo, se perder e se encontrar diversas e diversas vezes.
No meio de toda essa paz e tranquilidade e solidão, me pego num dia, em frente ao mar, chegando na conclusão que agora, finalmente, eu sabia o que era felicidade. Lembro da minha surpresa, do meu arrepio. Eu agora conseguia entender exatamente o que era felicidade, aquela palavra que os adultos falavam o tempo todo, que se desejavam um ao outro nos natais e nos finais de ano.
Hoje em dia eu penso nisso e acho engraçado como eu só consegui descobrir o sentido daquela palavra tão comum, no meio de uma praia, no meio da solidão e ociosidade, da chatice de dias que não tinha o que fazer, dos pensamentos aleatórios de uma menina de quatorze anos que não tinha problemas. E eu que já tinha lido milhões de livros de auto-ajuda (resultado de ser uma leitora curiosa e de ter  uma mãe sempre atrás de livros desse segmento), mas nada do que eu poderia ler ou ter vivenciado antes daquele verão tinha me feito entender aquela palavra. Felicidade.
Agora, tão mais velha, não consigo me lembrar como eu a defini, mas sei que o fiz. Não lembro do sentido que encontrei na palavra naquele momento, nem que palavras usei para me auto-explicar o meu entendimento sobre felicidade. Mas lembro bem de tê-la entendido, sentido e (provavelmente) vivenciado.
Eu queria ainda poder dizer que sei o sentido dela, mas não sei. Depois de tantas quedas e recuperações dos meus quatorze até aqui, só posso dizer que ainda a procuro.  Estou sempre me perguntando ~estou feliz? não estou? quando eu me senti realmente feliz? por que me senti assim mesmo?~, e minha péssima memória sempre fraqueja ao me responder essas questões. Mas, posso dizer, que agora estou me concentrando pela busca delas, da felicidade e daquela garota, que no meio do silêncio, encontrou o sentido da vida.