segunda-feira, 22 de setembro de 2014

re e rés

dor de fome, prazer.
resquecer, reiventar, reviver
são tantos re e rés que não te colocam no chão
tento um futuro qualquer, algo que me leve além
volto, choramingo, faço graça
penso como um súbito relâmpago caído no chão de mármore:
não ser amada dói, mas ser amada e não ligar pra isso, dói mais ainda.
sonhos esclerosados, insolentes, latentes.
me repudiam, me culpam, me deixam sem ar,
pior, me deixam sem sorriso.
culpa, culpa, culpa.
culpa de fugir, de não mais acreditar, de querer enterrar-se sobre pedras pesadas e ocas,
ou de viajar prum mundo verde, natural e sem pus.
querer e não poder, até é acostumante,
já poder e não querer, é atormentante.
me dispo de tudo, como se o passado pudesse surgir no meio de uma segunda ingrata,
me engano.
me como, me abro. me despeço de novo.
e nada muda.
mudei, aos poucos, mas não cheguei no futuro que quero.
ninguém parece se importar, todos se importam.
meu coração late, esbraveja, mas não diz nada.
reaprender, jogar tudo no lixo, deletar, ir embora, ficar.
um dia o céu vai se abrir num buraco sem fim e me sugar pra qualquer lugar mais intenso que esse.