sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Por trás do sol

(texto escrito em 2011, depois de ter assistido ao filme Abril Despedaçado de Walter Salles)

  













Num abril despedaçado fugi com o circo,
é que aqui não tem nada para ser feliz não.
Só a mancha amarela dum sangue já seco,
é o que jorra pela minha cabeça, me entorpece de medo.
- Não tenho medo.
Quero ir prum mar onde veve meu sorriso,
e morrer pra ser feliz.

Bloco de notas

Eu, habitante de mim mesma,
porto seguro de mim.
Não há quem compreenda.
A solidão é única,
(e companheira).

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Fuga

trilha sonora: Doce Solidão - Marcelo Camelo






















Escuto os versos de Camelo, e sinto que,
ao contrário da solidão, eu que fujo dela.
Tenho fugido demais da tua companhia, solidão.
Me jogo, me arremesso no Mundo, de um jeito vulgar
de um jeito desimportante.
Me quebro, me espeto, faço da rua minha casa, do etílico meu pensamento.
Não há mais calmaria. Não há mais Creedence enquanto faço o almoço,
nem a manhã nostálgica de sábado.
Não há tempo. Não deixo que haja tempo. Não penso.
Ajo.
A ansiedade me deixou, abandonada, espero com vontade
por o que há por vir.
Mas continuo essa fuga da solidão.
E eu sei, eu sei, o quanto eu preciso de você. Há tempos.
Todos os meus passos, as quebras que dei nessa minha vida
Tudo foi só pra te encontrar: seria eu e você, solidão. Era só isso que eu queria.
Mas, não consegui me abandonar em teus braços ainda.
Não consegui me aquietar no teu calor.
Meus livros me esperam, minha cama igualmente.
Te prometo que tô me preparando pra te ter.
Não quero leviandades, não quero me deixar levar por esse Mundo cruel.
Só quero poder acreditar de novo no amor e na verdade.
Preciso me reconstruir.