quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A dor de um golpe

Eu tinha que ver com meus próprios olhos.
Já não bastavam os livros de História,
já não bastavam as lembranças amargas,
a dor nos olhos de quem contava.
Eu tive que ver com meus próprios olhos.
Meu país, mais uma vez, silenciado.
Meu país, mais uma vez, roubado.
Calado. Usurpado. Golpeado.
Não coloca um prato cheio na frente de um faminto!
Vão tirar antes que possa ser comido!
A fome doída da qual estávamos nos livrando, lembra?
A dor de não poder ir e vir, porque faltava o nojento verde dentro dos bolsos.
Mas eles querem tudo. Só pra eles.
Eles não querem nada pro meu povo. Eles não querem nada de nada.
Não vai dar pra esquecer, vai doer, vai doer.
O futuro é tão cinza, que tá difícil enxergar o amanhã de Chico.
O futuro tá tão escuro, que tá parecendo uma noite sacadas as estrelas.
O coração doído, ainda respira.
A cabeça golpeada, cansou de mentira.
Te juro, vamos acordar.
Te juro, vamos acordar.

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