segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Pedra solta

Segunda vez que acampei no sitio da família de seu João e Dona da Paz. Na primeira, eu voltei de carona encima da carroceria de um caminhão, trilhando a descida de Serra Negra à Bezerros. Quem estava comigo não importa mais. No final, as nossas experiências são só nossas e o sentimento delas é o que permanece. Voltei também com a sementinha de querer morar num lugar como aquele. De ser da terra, da calma e da poesia, como Dona da Paz. Dessa vez, voltamos de taxi com hora marcada, na confiança da palavra, que ainda é respeitada no interior. O sitio Pedra Solta é um pedaço do paraíso "se o paraíso existe mesmo" como disse um senhor que, por amar tanto aquele lugar, já tem lona e lugar marcado no camping. Acho que ele deve ter viciado naquela sensação de paz e verdade que o mato daquele canto traz. Interior é um riqueza. A natureza do interior nem se fala. Aquelas pedras enormes, cheias de uma vegetação que teima em crescer mesmo encima de uma rocha fria e dura. Porque há vida. Há vida na pedra, na borboleta e nas flores amarelas que se derramam por todo o campo. Um sentimento de eternidade e miudeza. Que mundo grande e universo perfeito! Não tinha como não pensar na grandiozidade que são as coisas pequenas, e no valor que só as pessoas da calma podem reparar. Eu me senti acolhida nas duas vezes que fui lá, talvez mais na segunda. Os olhos de quem te veem ser de fora, os olhares curiosos de lá, o carinho e aconchego que todos te transmitem, mesmo sem perceber. Me senti cuidada: pela família dona daquela terra maravilhosa, pelas pessoas que te recebem no restaurante ou no bar, pelos taxistas que rodam todo Pernambuco, pelo cachorro que teimou em nos acompanhar mostrando o caminho da trilha, nas dicas  de quem já foi menina trelosada da filha de seu João, suspendendo o arame pra nossa aventura. O sentimento que dá é que a eles as miudezas da vida importam mais. O que nessa cidade grande é lapso de minuto sem sentido, ações tristes e vazias, as pessoas daquele lugar: olham, cuidam e sentem. Minha cabeça rodava um pouco e pensava no quanto as sensações de lugares e as energias deles podem nos atingir. De uma megalope branca e endinheirada à um sítio no interior. O mundo é como a vida pode ser: cheio de direções. Minha vida tava sendo um campo verde e minado, cheia de explosões amargas e doces. Pude, enfim, sentir gratidão pelas amargas. E confiar que era só o começo de um caminho bom. Na minha cabeça, desejo de viver e de querer ter um lugar daquele pra chamar de meu ou de nosso. No meu coração um sopro de paz e mais vontade de transmitir amor por aí.

domingo, 13 de agosto de 2017

A calma do tempo

As pessoas têm pressa.
O tempo todo.
Às vezes me pergunto se já se permitiram sofrer.
Esse tempo entre tempos de espera pro tempo passar.
Onde não há pressa,
nem muito o que fazer.
Onde você aprender que a vida é devagarinho,
e que é só devagarinho que o que realmente importa,
fica.
E a pressa, essa imediata, vai sumindo aos pouquinhos, até virar poeira do tempo em um coração resiliente.